Visita de Estudo na Região Aveiro

Nos dias oito, nove e dez de maio a turma de Tudo é Economia e  Economia do Mar da Unisseixal efetuou uma visita de estudo à região de Aveiro com o objetivo definido de conhecer três empresas da região: a Flatlantic (antiga Pescanova) que se dedica à produção de pregado e linguado, a Vista Alegre-fábrica de porcelanas, e a Algaplus-criação de algas. Completava o programa duas outras visitas: o Museu Marítimo e ao Navio Museu Santo André.

Assim bem cedo, quarenta e quatro interessados participantes entre alunos e acompanhantes que como pequeno-almoço tiveram a oportunidade de se deliciar com as trouxas da Malveira, partiram com destino à Praia de Mira. onde éramos esperados nas instalações da Flatantic e onde acompanhámos todo o processo de criação do pescado em tanques, abastecidos por águas do oceano, situado a poucos quilómetros de distância, e em cujo refeitório almoçámos.

Nessa tarde após fazermos o check-in num hotel de Aveiro que nos acolheu por duas noites, fomos recebidos pelo vereador da Câmara de Aveiro Sr. João Machado que dissertou sobre as iniciativas já levadas a cabo pelo executivo nos mandatos anterior e  atual e sobre os empreendimentos em que estão empenhados  nomeadamente em colaboração com a Universidade de Aveiro

O dia seguinte depois de uma rápida passagem pelo Farol da Barra – Gafanha Nazaré foi preenchido pela visita àVista Alegre, que está a comemorar 200 anos de existência, onde visitámos o Museu, Sala de Pintura,  Capela de Nossa Senhora da Penha de França e o Bairro Operário, ainda habitado por funcionários mas que a pouco e pouco se irá transformando em instalações hoteleiras já que presentemente as habitações não serão transmitidas à geração seguinte.

Após o almoço, também nas instalações daquela empresa, foi altura de nos dirigirmos ao Museu Marítimo, dedicado à pesca do bacalhau, onde não nos foi possível visitar o aquário habitado pela espécie, encerrado desde outubro de 2023 por  necessitar de um melhoramento estrutural do suporte de vida dos bacalhaus, dado  contaminação ocorrida, e o Navio Museu Santo André. Após o jantar num restaurante da cidade, alguns dos colegas presentearam-nos com aquilo que tão bem fazem – cantar.

A hora do regresso aproximava-se e embora alguns de nós já sentíssemos algum cansaço mas não menor entusiasmo, a manhã do terceiro dia foi direcionada  para atividades lúdicas como a visita a vários pontos da cidade e compra das famosas doçarias, não tendo faltado um passeio na ria num dos típicos moliceiros completado por um circuito em tuk tuk passando por zonas emblemáticas da cidade e proporcionando o avistamento do Navio Escola Sagres que ali atracara na véspera.

Mas ainda faltava irmos conhecer a Algaplus em Ílhavo, empreendimento resultante do sonho de alguns biólogos, que se dedica desde 2012 ao cultivo de microalgas marinhas autóctones da costa do Atlântico (de  que já tínhamos visualizado uma reportagem filmada em aula), num sistema em terra inovador, natural  e com certificação biológica, cuja produção tivemos  a oportunidade de acompanhar e também provar algumas espécies ali criadas.

E assim regressámos ao Seixal depois de uma paragem na Nazaré para retemperar as  forças e permitir o descanso obrigatório do nosso motorista Sr Paulo que com profissionalismo e simpatia nos conduziu nesta “aventura”

Mas tudo isto só foi possível pelo empenho e dedicação  do n/ Professor Alberto Jacob, que contou com a colaboração dos colegas delegados de turma José Romão, que por motivos imperiosos não nos pode acompanhar, e da Lúcia que também deu uma mãozinha, juntando-me a todos os colegas nos comentários deixados no grupo WhatsApp da turma,  expressando-lhe também o meu agradecimento , e enaltecendo a sua disponibilidade, para nos acompanhar sempre de perto, não descurando qualquer pormenor durante toda a estadia, e a quem tentámos  corresponder com aquilo que sempre valorizou: pontualidade no cumprimento dos horários. A sua antecipada divisão dos participantes em Grupo 1 e Grupo 2 , já que o seu elevado número não permitiria  que as diversas atividades fossem feitas em conjunto,  muito contribuiu para o sucesso desta jornada,  lembrada nas quadras elaboradas pela colega Ausenda, no regresso ao Seixal,  onde aludia que  1 + 2 são 44.

HM

Por Aveiro - fotos partilhadas pelos participantes

Visitas- Fotos partilhadas pelos participantes

Vista Alegre – Ilhavo

200 anos-Presente e Futuro da Vista Alegre

Visita de estudo efetuada pela Turma Tudo é Economia, Economia do Mar da Unisseixal-Prof. Aberto Jacob 

A Vista Alegre é uma marca portuguesa mundialmente conhecida e prestigiada pelas suas louças e porcelanas finas, sendo não só a primeira fábrica de porcelana de Portugal, mas a mais antiga da Península Ibérica. Fundada em 1824 por José Ferreira Pinto Basto que na época já demonstrava preocupação em adotar políticas sociais que proporcionassem aos trabalhadores melhores condições de vida, criou um complexo que incluía um teatro, escola, bairro operário e a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, padroeira da Vista Alegre, política à qual a atual administração a cargo de Nuno Terras Marques, presidente executivo do Grupo Visabeira, também não é alheia.

Reconhecida mundialmente pela qualidade dos seus produtos, possui seis unidades fabris (porcelanas em Ílhavo, três de grés em Satão e zona de Aveiro, faiança nas Caldas da Rainha-Bordalo Pinheiro, cristal e vidro em Coz-Alcobaça – Atlantis) e diversas lojas espalhadas pelo país. A Fábrica e Museu localiza-se perto de Ílhavo/Aveiro, região rica em combustíveis, barro, areias brancas e finas e seixos cristalizados, elementos fundamentais para o fabrico de vidros e porcelanas, produzindo cerca de 10 milhões de peças por ano, entre porcelana decorativa e doméstica

Em maio de 2001, deu-se a fusão da Vista Alegre com o grupo Atlantis, formando o maior grupo nacional de utensílios de mesa e o sexto maior do mundo no sector: o Grupo Vista Alegre Atlantis. Passou por grave crise em 2009, com resultados líquidos acumulados de cerca de sessenta milhões de euros nos últimos anos, levando à entrada do Grupo Visabeira  que lançou uma OPA à Vista Alegre e adquiriu o controlo total da marca  iniciando o processo de recuperação da empresa, invertendo em 2021 as perdas que vinha sofrendo, e reduzido nos últimos quatro anos a dívida líquida em trinta milhões de euros Contando com 2500 trabalhadores faz uma faturação de 130 milhões de euros por ano, tendo em 2023 apresentado um lucro de sete milhões de euros.

A sua atual estratégia passa por investimentos que conduzam a uma melhor eficiência energética e consequente diminuição da sua pegada de carbono, tanto mais que os custos com energia têm aumentado muito com a crise energética dos últimos anos que obrigou ao recurso de apoios do estado, passando a alimentação dos fornos feita a gás, a usar também o hidrogénio. Nos últimos dez anos sofreu grandes modificações apostando no segmento de luxo, não deixando, contudo, de ter uma marca branca, e embora com menores vendas (queda de 9% no volume de negócios) tem obtido melhores resultados (cerca de 20%). Pretendem também alargar os seus produtos a outras áreas como a cutelaria, iluminação, têxtil, mobiliário e hotelaria, sempre na procura da inovação e maior qualidade de forma a reforçar a marca nomeadamente a nível internacional, tendo exportado em 2023 setenta por cento da sua produção com colocação das suas duas principais marcas, Vista Alegre e Bordalo em mercados da Europa, Brasil, México, Estados Unidos que preveem estender a asiáticos como Japão e Singapura

Ao entrar no Museu inaugurado em 1964 é possível ver um dos seus primeiros fornos (dos dois que ali estão expostos) onde a cozedura durava sete dias , processo que atualmente é de sete horas. Ali além da evolução das peças, inicialmente em vidro e louça de pó de pedra (as porcelanas vieram depois, em 1832), é possível ver o espólio da sua produção ao longo dos anos, como peças históricas, algumas da monarquia, diversas coleções e até um dos carro de bombeiros mais antigos do país que pertenceu ao seu corpo privativo. Uma das partes mais interessantes desta visita é o ateliê, onde podemos ver artistas pintando e finalizando as peças.

(Dados recolhidos da entrevista do presidente da Visabeira ao programa "Tudo é Economia-RTP 3" e por consulta ao site da empresa)

História da Vista Alegre

Museu da Vista Alegre – Ilhavo