Visita à Renova e Entroncamento
Hoje, dia 11 de fevereiro de 2026, foi mais uma visita de estudo, no âmbito das actividades da UNISSEIXAL (Universidade Sénior do Seixal) e respeitantes à disciplina de “TUDO É ECONOMIA E ECONOMIA DO MAR”.
Evidentemente que estas operações obrigam sempre a alguma preparação prévia quanto aos requisitos da indispensável logística: – contactos com os responsáveis das entidades que nos propomos visitar, contratação do autocarro para a deslocação de um efectivo à volta de 50 pessoas e bem assim de provisão de um estabelecimento de restauração com qualidade e capacidade para tratar da reposição das energias dispendidas nas andanças de tão volumoso efectivo de corajosos excursionistas e interessados participantes.
A meteorologia, à medida que o dia D se aproximava, foi alvo de um cerrado acompanhamento pela maioria dos participantes com vista à decisão final quanto à viabilidade da realização desta diligência no dia de hoje, como aprazado, ou o adiamento para um período em que houvesse maiores certezas de usufruto de tempo mais primaveril…
Tendo sido mantida a intenção de realização das actividades tal como programado, todos os que mantiveram vivo o entusiasmo se apresentaram no local combinado para o início de mais esta aventura, animados com a crença de que “A SORTE PROTEGE OS AUDAZES”.
E a verdade é que até o tempo atmosférico resolveu tornar-se nosso amigo, resolvendo ficar com melhor humor, ao ponto de nos ter acompanhado não com as fortes bátegas de água dos dias anteriores, mas com uns ténues salpicos que não exigiram protecções mais robustas do que os meros capuzes dos populares kispos e “guarda-chuvas de bolso”.
Como a quase totalidade do tempo foi passado em ambientes cobertos (transporte em autocarros, visitas a uma fábrica e a um museu e almoço em restaurante), reinou sempre o maior entusiasmo e a boa disposição, ao ponto de no fim do dia todos terem lamentado que a “festa” tivesse acabado.
Para que tudo aquilo tivesse sido concretizado, tivemos que nos deslocar até à região situada no eixo Torres Novas – Entroncamento, com início das actividades lectivas nas proximidades da primeira destas cidades na fábrica da Renova, seguindo-se o almoço e a visita ao Museu Nacional Ferroviário na segunda delas.
No primeiro daqueles objectivos tivemos o privilégio de usufruir de uma pormenorizada visita a uma unidade industrial responsável pela produção de um dos produtos que já se tornaram incontornavelmente indispensáveis nas nossas vidas: – o papel utilizado na nossa higiene pessoal, bem como nas cozinhas das nossas casas, nas mesas dos restaurantes e até para nos irmos livrando das secreções nasais quando nos constipamos; enfim, toda uma extensa panóplia de formatos e texturas de cuja verdadeira importância económica só nos damos conta quando contactamos com a realidade…
Para todas aquelas funcionalidades, é utilizada a matéria-prima constituída maioritariamente por pasta para papel, originária quer da celulose extraída das madeiras de pinheiro e eucalipto, quer de papel recolhido em processos de reciclagem que começa exactamente nas nossas casas e empresas.
No decurso da demorada visita, o efectivo de cerca de 50 participantes foi dividido em 3 grupos para uma melhor gestão das informações e ocupação dos espaços daquela enorme e movimentada unidade fabril, cada um devidamente acompanhado por uma experiente guia que nos iam prestando todos os esclarecimentos necessários ao entendimento daquele complexo fabril e cuidando também da segurança dos entusiastas convidados.
Tivemos assim a oportunidade de constatar o elevado nível de automação ali reinante, podendo aquilatar que todas as tarefas que possam exigir esforço físico são realizadas por autómatos… No decurso da visita cruzámo-nos no espaço com muitos equipamentos que eram conduzidos de forma remota e que bem mostravam que estavam a reconhecer a nossa presença e que por isso emitiam avisos e também de nós se desviavam se necessário fosse: – foram vários os veículos do género com que nos cruzámos, fossem eles plataformas para deslocarem enormes e pesados rolos de papel em estádio de produtos intermédios (para darem continuidade a produtos finais seja naquela mesma unidade, seja para exportação e acabamentos noutras unidades industriais sediadas em vários países), fossem eles os mais ligeiros monta-cargas que se ocupavam de levar para os armazéns e para os camiões que esperavam ser carregados com vista aos locais onde ficam acessíveis aos consumidores finais, os produtos já embalados nas formas a que nos habituámos a ver nos escaparates dos supermercados onde habitualmente os vamos adquirir.
Um tanto lateralmente ao núcleo do processo produtivo, foi-nos ainda com um certo orgulho dado a conhecer o nível de preocupação com as agora cada vês mais candentes questões ambientais, ao descreverem os procedimentos das várias etapas de decantação das águas residuais, ao ponto de apenas devolverem ao Rio Almonda a água cristalina, já separada das lamas que depois de passagem por um processo de secagem são utilizadas na produção de biomassa para em conjunto com a central fotovoltaica, que também nos foi mostrada, se aproximem da almejada auto-suficiência energética.
Seguiu-se ainda uma mais célere visita às instalações da antiga e por isso primitiva fábrica de papel pertencente ao mesmo grupo empresarial e que se encontra situada junto à nascente do Rio Almonda e onde se situam os serviços administrativos de ambas as unidades industriais, esta última e a mais moderna que antes havíamos visitado; junto a esta mais vetusta fábrica funciona ainda uma loja onde muitos dos participantes na excursão Seixalense aproveitaram para adquirirem algumas recordações. Ficou por realizar a visita ao famoso local da nascente do Rio Almonda que ali proeminentemente brota em abundância do sopé da Serra de Aire, mas tivemos que nos conformar com o acatamento da proibição de visitas nesta altura por razões de segurança ditada pela Protecção Civil, tendo em atenção aos riscos associados ao aumento do caudal resultante da forte pluviosidade ocorrida nos últimos tempos.
Depois desta “imersão nos segredos da indústria do papel”, houve que proceder à deslocação de todo aquele contingente para o centro da cidade do Entroncamento onde nos esperava um animado encontro recuperador das energias dispendidas na aventura matinal, aprazado para o agradabilíssimo
restaurante O Retornado, onde todos puderam usufruir de um repasto onde pontuaram todos aqueles requisitos que nos meus tempos de militar eram enfatizados nas asserções constantes dos relatórios dos oficiais de dia, como bom indicador da desejada normalidade: “a comida tinha bom aspecto e paladar, era em quantidade suficiente e agradou de um modo geral”, a que é justo que se acrescente a elevada simpatia do anfitrião dono e responsável por aquele bem cuidado espaço e serviço, bem como do pessoal que o ajudou a que nos tivesse sido prestado um inegável excelente serviço, ao ponto de até o nome do estabelecimento nos ter feito sentir que contenha sentido premonitório ao induzir-nos a vontade de a ele retornarmos.
De seguida, em poucos minutos ficámos abeirados do segundo dos objectivos nucleares desta intrépida expedição, o Museu Nacional Ferroviário, em cuja entrada nos apresentámos e em cujo átrio nos reconhecemos como vivendo os tempos em que éramos recebidos numa clássica estação de comboios dos nossos tempos de juventude… o que evidentemente não nos surpreendeu de todo…
Depressa nos vimos “capitaneados” por um cavalheiro dotado de uma voz e tom oratório com uma demarcada sonoridade, que nos foi desbravando o caminho a seguir, a ver e a ouvir, elencando algumas descrições com um sentido de humor balanceado entre o que ia parecendo umas vezes assertivo e outras vezes bem bizarro.
A grande verdade é que em breve todos fomos ficando habituados e encantados com aquele seu estilo descritivo das histórias dos homens e das máquinas que constituem o acervo de toda aquela bela exposição museológica, pois o nosso cicerone de nome JOÃO PAULO MARQUES, em momento algum soçobrou ao cansaço e à falta de inspiração, prosseguindo de sala em sala, de peça a peça, sempre orando em simultâneo em duas bandas, qual aparelhagem com efeito estereofónico, ora realçando com muita graça assuntos muito sérios, ora dando realce a graças com o ar mais sério e solene…
Ao ponto de ninguém ter sentido os efeitos do esforço físico exigido pela longa caminhada realizada para visitar o imenso acervo museológico ali reunido, que além do elevado número das peças ali reunidas há que ter em consideração de que se trata de comboios em tamanhos reais quanto às suas diversas componentes: locomotivas, carruagens e até históricas composições inteiras, a que se pode juntar ainda a visão de termos ali muita gente revelar uma invejável destreza nas “manobras” de subir e descer aos habitáculos onde eram operadas aquelas mastodônticas locomotivas dos tempos de funcionamento a dinâmicas geradas pelo vapor de água.
Vou abrir aqui um “parêntesis” para ousar uma ajuda a melhor entendermos porque aquele amigo cicerone, que ali tão prestimoso se revelou para com estes inusitados visitantes, se ia mostrando cada vez mais feliz com a sua própria prestação, à medida que evoluía na nossa frente ao longo do extenso edifício do museu…
É que ele com toda a certeza ainda vai buscar alegria às reminiscências dos tempos em que ele, como muitos outros trabalhadores e funcionários, partilhava do sentimento comum popularmente chamado de “amor à camisola”, ou de “ter vestido a camisola”… É algo que cada vez será mais difícil de encontrar no “Mundo do trabalho”, mas que nas alturas de há umas décadas atrás era mesmo o “cimento” que tornava fortes os laços entre os que partilhavam os mesmos locais de trabalho anos a fio, em empresas que eram empregadoras de grandes contingentes, e em que todos se sentiam iguais e conscientes de que cada um representava apenas uma unidade anónima para os dirigentes de topo que raramente se deixavam avistar. E eles retiravam felicidade do pouco que tinham de sua propriedade, mas do muito que colhiam da amizade e solidariedade, bem como da contribuição que davam para a alegria e felicidade daqueles que utilizavam os serviços que eles, em nome da empresa que representavam, prestavam à colectividade. Não havia a exaltação de sucessos individuais, mesmo quando algum ou alguns de entre eles era alcandorado a um lugar de chefia ou coordenação; tal era visto como uma vitória colectiva que todos comemoravam com convicta lealdade e naturalidade… Hoje em dia esses sentimentos ainda persistem entre os praticantes de modalidades desportivas com bola, bem como nos participantes em provas velocipédicas…
Voltando às ousadas e ousados seniores da Unisseixal, quero ainda deixar expresso que inesperada e surpreendentemente todas e todos resistiram de forma estoica às duas exigentes caminhadas que preencheram grande parte do dia, e esqueceram-se de invocar as queixas que no normal dia a dia lhes preenchem o rol das razões para temas de muitas conversas comuns.
Em suma, uma aventura tão bem preenchida que bem pode considerar-se ter passado de preocupação com a meteorologia a uma verdadeira terapia…
O nosso muito obrigado ao PROFESSOR ALBERTO JACOB pelo impecável trabalho de organização de mais um par de frutuosas visitas de estudo, bem como ao delegado e sub-delegada de turma, JÚLIO ROMÃO e LÚCIA PERES, pelas mais uma vez competentes assessorias prestadas nas exigentes componentes áreas da gestão das candidaturas à inscrição e controlo dos pagamentos.
O Aluno Manuel Justo

